Especializado na formação de professores de alemão, o mais novo integrante da equipe do DAAD no Rio de Janeiro, Paul Voerkel, está cheio de planos para sua segunda temporada brasileira. O professor visitante, que já trabalhou em Belém, será agora leitor na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atuando no Departamento de Letras Anglo-Germânicas, da Faculdade de Letras. Além de dar aulas na graduação, Paul planeja cooperar com as outras duas universidades que oferecem licenciatura de alemão no Rio, Uerj e UFF, principalmente por meio de eventos culturais.

Uma das mensagens que pretende passar é a de que o mercado para graduados no ensino de alemão é melhor do que se pode imaginar: “Parece um mercado relativamente restrito, mas estudos mostram que a maioria dos graduados trabalha com a língua alemã ou no ensino dela. Tem muito campo de trabalho e vale a pena investir na formação de profissionais nessa área. Naturalmente, como a competitividade é alta, é preciso ter um grande domínio de língua e boas competências de comunicação”. Como membro do DAAD, Voerkel fará a conexão entre o Ministério da Educação, outros órgãos envolvidos no programa “Idioma Sem Fronteiras - Alemão” e os parceiros alemães (TestDaF e DUO). Ele também será o ponto de contato para os demais professores leitores vinculados ao DAAD no Brasil.

O professor está perto de defender sua tese de doutorado em Alemão como Língua Estrangeira pela Universidade Friedrich Schiller de Jena, com o tema “A formação de professores de alemão no Brasil”. Em sua primeira semana no escritório do DAAD, ele falou sobre suas expectativas e experiência de trabalho.

Como começou sua ligação com o DAAD e o Brasil?
Paul Voerkel: Conheci o DAAD como bolsista do programa Unibral, cursando um semestre da graduação de alemão na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. Eu nasci em Leipzig, cuja universidade tem uma parceria com a UFPR. Existe um mestrado binacional em Alemão como Língua Estrangeira entre as duas instituições. No Brasil, esse é o único mestrado específico nessa área, que é minha especialidade. Meu perfil me dá o privilégio de conhecer muitas realidades em vários países. Somando estágios, estudos e experiência de trabalho, pude conhecer a realidade de uma dúzia de países, como Equador, Polônia, França e Brasil. Minha primeira bolsa do DAAD foi na graduação de história na Polônia em 2003 e 2004, com foco na história judaica e da Europa Oriental.

Você pretende cooperar com as três universidades do Rio que oferecem licenciatura de alemão. Que tipo de projeto planeja?
Paul Voerkel: Um bom exemplo serão as atividades que farei em abril na UFRJ e na Uerj sobre “Estratégias da política exterior alemã para o fomento de línguas”. Elas serão parte da programação da Semana da Língua Alemã no Brasil. A ideia é conciliar uma palestra sobre as bases da política exterior da Alemanha em matéria de cultura e língua com um pequeno curso. Nele, os participantes terão a possibilidade de associar essa política ao contexto brasileiro e, dessa maneira, descobrir as conexões entre a forma de aprender uma língua, sua utilidade e possíveis opções de fomento.

Você conhece bem o Brasil?
Paul Voerkel: Trabalhei como assistente de línguas com bolsa do DAAD em Belém por um ano e pude viajar bastante naquela época. Agora quero mostrar esses lugares para minha família. A filha caçula, por exemplo, não conhece o mar. Já tenho alguns destinos certos: Ilha Grande, Cataratas do Iguaçu e Amazônia, onde nasceu nossa primeira filha. O Brasil tem muitos lugares bonitos, seja culturalmente ou pela natureza. O que acho maravilhoso especialmente no Rio de Janeiro é que você não precisa de mais que duas horas para chegar a locais com uma natureza muito diferente da que temos na Europa.

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Paul Voerkel tem graduação e mestrado em Alemão como Língua Estrangeira, Letras (área de Espanhol) e História (2007) pela Universidade de Leipzig (Alemanha), possui graduação e mestrado em Pedagogia / Ciências da Educação (2015) pela Universidade de Leipzig, e é doutorando em Alemão como Língua Estrangeira na Universidade Friedrisch Schiller em Jena (Alemanha). Trabalhou como docente nas universidades UFPA-Belém (Brasil), PUC-Quito (Equador) e Friedrich-Schiller (Alemanha). Atualmente, é docente na UFRJ e leitor do DAAD.