Um grupo de professores universitários com experiência na cooperação Brasil-Alemanha e o desejo de propagar o conhecimento acumulado em anos de trabalho e troca. Com esse foco, foi fundada no Rio de Janeiro a Rede Brasil-Alemanha Internacionalização do Ensino Superior (Rebralint), composta por acadêmicos das cinco regiões do Brasil e professores alemães em atuação no país.

A nova rede é fruto do apoio a iniciativas de internacionalização nas universidades brasileiras por parte do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), especialmente no que diz respeito à cooperação científica e acadêmica com a Alemanha. Após um grande seminário destacando a temática da internacionalização em 2016, o DAAD deu suporte para que os professores se organizassem e fundassem a nova rede em 30 de março de 2017.

Entre os principais objetivos da Rebralint estão a busca por facilitar o acesso aos programas de intercâmbio entre o Brasil e a Alemanha, e ampliar a divulgação de informações de forma transparente. A ideia também é trabalhar para identificar e integrar os envolvidos em alguma cooperação científica entre os dois países.

Eleita presidente da Rebralint, Gabriela Marques-Schäfer, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), ressaltou a importância da experiência dos colegas enquanto ex-bolsistas para ajudar as instituições de ensino superior do Brasil a intensificar suas relações com universidades alemãs: “A Rebralint permitirá a aproximação com pessoas que estão envolvidas na cooperação com a Alemanha em seu cotidiano de trabalho. Acreditamos que a conexão entre as pessoas é que realmente promove a parceria entre instituições. Enquanto membros da Rebralint, queremos compartilhar nossas experiências, inclusive apoiando o trabalho já feito pelos escritórios internacionais das universidades”.

Martina Schulze, diretora do DAAD Brasil, comemorou a criação da rede: “Esse é um grupo de professores que fez e faz muito pela parceria entre Brasil e Alemanha. A cooperação tem muito a ganhar com a criação dessa rede, que terá sua sede no escritório regional do DAAD no Rio de Janeiro. A Rebralint, inclusive, já será um dos temas apresentados na conferência da Faubai (Associação Brasileira de Educação Internacional) deste ano, que abordará as novas tendências na internacionalização do ensino superior, com foco no engajamento social e na inovação”.

Panorama das parcerias entre Brasil e Alemanha
Além de formalizar a criação da Rebralint com a eleição de uma diretoria e um conselho deliberativo, o evento de fundação foi oportunidade para a apresentação de casos de sucesso na cooperação entre os dois países e também da logomarca da rede. De Norte a Sul do Brasil, as parcerias se dão em variadas áreas de conhecimento. Edjair de Souza Mota, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), citou o projeto que investiga novas tecnologias de comunicação para a inclusão social de comunidades ribeirinhas do Amazonas. O estudo é parte do convênio com duas instituições alemãs: a Universidade de Tübingen e a Universidade Técnica de Dresden. Edjair fez um panorama das parcerias com a Alemanha: “O programa da UFAM com melhores resultados até hoje é com a Universidade de Stuttgart na área de Eletrônica Industrial, Sistemas e Controles Eletrônicos. O acordo foi firmado para o período de 2015 a 2020. Temos, ainda, convênios com a Universidade de Potsdam e Universidade Técnica de Darmstadt. Mas, em alguns outros estados da região Norte, como Acre e Tocantins, não há registros de cooperação com a Alemanha. Com a Rebralint, isso pode mudar”.

Nos debates, foi ressaltada a importância de se criar um banco de dados das parcerias existentes em todos os estados brasileiros, identificando áreas de atuação e programas de pós-graduação, além de professores e pesquisadores alemães que atuam no Brasil. A questão da dupla titulação também foi abordada algumas vezes. O professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) João Marcelo Brazão Protázio, eleito representante da região Norte, por exemplo, citou como uma das estratégias futuras da UFPA a busca de uma instituição alemã de nível superior com curso de estatística equivalente ao seu para viabilizar a dupla titulação.

Representante da região Nordeste, Fernando Antunes, da Universidade Federal do Ceará (UFC), se esforçou para resumir 23 anos de relação acadêmica com a Alemanha em dez minutos. Ele apresentou o projeto que deu início à cooperação na UFC: um sistema eólico instalado numa vila de pescadores, em Beberibe, no Ceará, entre 1996 e 1999, com apoio do CNPq. Depois disso, foram seis anos de parceria com a Universidade de Kassel, seguida por outras instituições alemãs, como a Universidade Técnica de Colônia (TH-Köln), parceira da UFC desde 2006.

A vice-presidente da Rebralint, Maria do Carmo Sobral, apresentou diferentes projetos que vem conduzindo desde 2001 na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em parceria com pesquisadores da área de Tecnologia e Planejamento Ambiental da Universidade Técnica de Berlin. Ela destacou o atual projeto “Innovate”, cujo objetivo é a gestão sustentável e inovadora da água e do solo em áreas semiáridas. A pesquisa conta com recursos do Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF).

Já André Luiz Brandão, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e representante do Sudeste na Rebralint, destacou a importância de se ministrar aulas em inglês nas instituições brasileiras para atrair mais estudantes e professores estrangeiros. Na UFABC, 2017 começou com a oferta de sete disciplinas em língua inglesa. O ensino do alemão, naturalmente, também foi parte das conversas. Pensando no estímulo ao aprendizado de sua língua materna, o professor Joachim Zang, com grande bagagem de cooperação pelo Instituto Federal de Goiás (IFG) - Campus Goiânia, inclui atividades culturais nos esforços de aproximação entre o Brasil e seu país: “Desenvolvemos uma série de projetos na área de sustentabilidade em parceria com instituições alemãs. Um exemplo atual é o sistema para processar o lodo gerado pela Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Goiânia. Mas também buscamos levar a cultura alemã para a cidade. Desde 2013, temos o projeto Cinema Alemão no IFG, além de um curso de alemão”. Zang foi escolhido representante da região Centro-Oeste da Rebralint.

Com forte presença alemã, o Sul do Brasil tem uma longa e intensa história na cooperação acadêmica. Os números apresentados por Pedro Rafael Bolognese Fernandes, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), falam por si: a instituição tem hoje 37 acordos de cooperação vigentes com 28 instituições alemãs, em 13 áreas de conhecimento. Um dos acordos, com a Universidade Técnica de Berlim, permite a dupla diplomação para estudantes de Engenharia da Computação. O docente da UFRGS representa sua região na Rebralint.

O panorama apresentado pelos professores na fundação da rede deixou clara as diferenças de Norte a Sul do Brasil em termos de oportunidades de cooperação. Distribuir melhor as parcerias pelo território é um dos frutos que a rede pode trazer para o país e o processo de internacionalização de suas universidades. A Rebralint foi fundada com 31 membros, incluindo professores de universidades brasileiras, professores visitantes alemães (professores leitores) e representantes de instituições alemãs no Brasil. O Embaixador da República Federal da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, prestigiou a fundação da Rebralint e participou do brinde que encerrou os trabalhos.