Profissional do Hospital do Fundão (UFRJ) no combate à pandemia: maior proteção usando o escudo facial doado pela Universidade de Stuttgart com apoio do DAAD

Publicado em 02/09/2020 | Por: Fabíola Gerbase

Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e outras quatro unidades da Universidade Federal do Rio de Janeiro envolvidas no combate à pandemia de Covid-19 receberam a doação de 800 escudos faciais produzidos por estudantes da Universidade de Stuttgart e trazidos para o Rio pela equipe do DAAD no Brasil, num esforço de cooperação inédito.

"Você se arriscando para salvar vidas, isso é um ato de heroísmo... Deus deve estar se orgulhando de você". Escrita por uma criança de 7 anos, a frase é parte de uma de muitas cartas enviadas aos profissionais que estão na linha de frente no enfrentamento à Covid-19 no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), parte da UFRJ. Referência em casos de média e alta complexidade dada a capacitação do seu corpo clínico, o Hospital do Fundão, como é conhecido no Rio, se tornou um dos principais destinos de pacientes infectados pelo novo coronavírus. Para receber cada vez mais doentes, sempre por encaminhamento das secretarias estadual e municipal de saúde, a unidade fez um enorme esforço de readequação de sua estrutura e ampliação da capacidade de atendimento. Até o momento foram recebidos 923 casos suspeitos no HUCFF, dos quais 394 foram confirmados e hospitalizados (dados atualizados pela UFRJ diariamente neste link).

Além do apoio aos profissionais com iniciativas como o projeto Casa VIVER, que buscou amenizar o desgaste psicológico com cartas de crianças, o esforço cotidiano inclui equipar o HUCFF e outras unidades da UFRJ envolvidas no combate à pandemia. Ciente da enorme importância desse trabalho e do belo exemplo de união entre ensino e pesquisa concretizado nessas unidades, o DAAD decidiu contribuir também: viabilizamos a doação e o transporte de 800 escudos faciais (face shields) para profissionais da UFRJ atuando no combate ao coronavírus. Produzidos por um grupo de estudantes da Universidade de Stuttgart, os escudos viajaram da Alemanha para o Brasil em julho, concretizando uma forma de cooperação universitária inédita para a equipe do DAAD no Rio de Janeiro, assim como o tempo que vivemos.

Os escudos faciais na caixa ainda desmontados

A doação aconteceu graças a uma iniciativa desenvolvida por integrantes do Instituto de Construção Aeronáutica e do campus de pesquisa Arena 2036 e.V., ambos na Universidade de Stuttgart. No final de março, eles começaram a produzir uma versão impressa em 3D de um escudo facial para atender à crescente demanda na região de Stuttgart. Formou-se, então, o grupo de estudantes "stuvus vs. Covid-19" para continuar o projeto em cooperação com a Arena 2036 e garantir uma distribuição rápida e sem burocracia dos face shields para consultórios médicos, clínicas e outras instituições. Todo o material necessário para a produção vem sendo doado por institutos da Universidade de Stuttgart e empresas, o que permite a distribuição gratuita das mascáras. Quando a demanda na região de Stuttgart estava sob controle, os estudantes estenderam o gesto a outros países em necessidade. Depois de Chile e Grécia, veio a vez do Brasil.

Quatro unidades da UFRJ receberam os escudos

Entregues na universidade, as caixas com os 800 face shields desmontados ficaram sob a responsabilidade de Angelúcia Muniz, coordenadora de Planejamento do Complexo Hospitalar da UFRJ. Foi ela quem cuidou da montagem e distribuição dos acessórios entre as unidades da universidade. Além do HUCFF, Angelúcia destinou o material ao Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), que assumiu o atendimento de crianças com Covid-19; à Faculdade de Medicina, cujos estudantes atuam nos atendimentos aos pacientes; e à Coordenação de Biossegurança, responsável pelos laboratórios de biomedicina, em que são feitas análises e pesquisas ligadas à Covid-19.

Segundo Angelúcia, além dos escudos, os equipamentos de proteção individual (EPI) com maior carência no Complexo Hospitalar da UFRJ são luvas, máscaras de procedimento e aventais descartáveis. No caso do Hospital do Fundão, o estoque de EPIs está em dia, de acordo com o Prof. Marcos Freire, diretor geral do HUCFF, e pode inclusive ser acompanhado no site da unidade. As doações têm sido fundamentais para isso. Outro ponto importante destacado por ele é a necessidade de contratação temporária de profissionais para manter o atendimento no hospital. Em entrevista ao DAAD, o diretor contou detalhes do trabalho do Hospital do Fundão e quais soluções têm permitido que essa instituição universitária mostre sua importância para a população do estado do Rio de Janeiro também na pandemia. Clique aqui para ler a entrevista.

Painel de monitoramento dos casos de Covid-19 que chegam ao HUCFF é atualizado diariamente (dados de 02/09/2020)

Conheça também o projeto “Visitas Virtuais”, conduzido pelo Serviço de Psiquiatria e Psicologia Médica e a Terapia Ocupacional do  HUCFF para que os pacientes com Covid-19 possam se sentir mais próximos da família durante a internação, cujo tempo médio na unidade tem sido de 14,4 dias.